15 pacientes tiveram contato com superfungo em hospital de SP

O Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo confirmou 15 casos de pacientes que tiveram contato com o superfungo Candida auris durante os primeiros três meses do ano.
O que aconteceu
Entre janeiro e março, o fungo foi registrado em 15 pessoas — contudo, apenas uma pessoa acabou infectada. O UOL confirmou que a única pessoa infectada pelo Candida auris, um homem de 73 anos, acabou morrendo — porém, sem causa relacionada ao fungo e sim por complicações de uma cirurgia.
Hospital é o único do estado a registrar um surto pelo superfungo, de acordo com a Secretaria Estadual de Saúde. O fungo pode entrar em contato com os pacientes, por meio da pele, mas não necessariamente o indivíduo vai se infectar, segundo explicou relatório técnico do hospital. Os 14 pacientes em observação não foram acometidos pelo Candida auris, apenas tiveram contato com ele.
Durante as coletas diárias, notificadas para as autoridades sanitárias, foi identificado a presença do microorganismo em outros 14 pacientes, no entanto, nenhum evoluiu para a infecção, ou seja, sem causar doença, durante a internação e tratamento dos pacientes.
Hospital do Servidor Público Estadual, em nota
Hospital adotou todas as medidas de segurança e controle, como a manutenção de pacientes em quartos individuais, higienização intensificada e treinamentos para as equipes. De acordo com o preconizado pelos órgãos de vigilância, a unidade segue realizando coletas mensais por seis meses para análise do cenário.
Hospital do Servidor Público Estadual, em nota
Anvisa foi alertada sobre os casos. Semanalmente, desde o registro do primeiro caso, funcionários da Anvisa e profissionais do estado e do município colhem amostras no hospital e produzem relatórios sobre a incidência do fundo na unidade.
O Candida auris pode causar infecções invasivas e feridas. O fungo é especificamente ainda mais perigoso para pessoas com o sistema imunológico desfavorecidos, como pacientes em tratamento de câncer, doenças autoimunes e idosos. Este é considerado um superfungo, segundo Paulo Abrão, vice-presidente da Sociedade Paulista de Infectologia, pois combina resistência e alto poder de transmissibilidade e, além disso, não responde a medicamentos antifúngicos, se tornando uma ameaça à saúde pública.
Ela tem uma grande capacidade de sobreviver no ambiente. A antissepsia e a assepsia comuns podem não ser suficientes. Logo, é preciso muito rigor para esses processos em todas as superfícies e objetos que tenham contato com o paciente. Além disso, a equipe de saúde tem que seguir todos os protocolos de higienização das mãos e em todos os procedimentos.
Paulo Abrão, vice-presidente da Sociedade Paulista de Infectologia