Recessão não está no horizonte a despeito de preocupações com tarifas, diz Georgieva
Por Andrea Shalal e David Lawder
WASHINGTON (Reuters) - A pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por tarifas de importação abrangentes está criando grande incerteza e prejudicando a confiança, mas não é provável que desencadeie uma recessão no curto prazo, disse a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva, nesta segunda-feira.
"O que vemos nos indicadores de alta frequência está de fato indicando que a confiança do consumidor e a confiança do investidor estão enfraquecendo um pouco, e sabemos que isso se traduz em um impacto sobre as perspectivas de crescimento", disse Georgieva em uma entrevista ao Reuters NEXT Newsmaker.
"Ainda não estamos vendo um impacto dramático" das tarifas implementadas e ameaçadas até agora por Trump desde seu retorno à Casa Branca, disse.
É provável que o FMI reduza ligeiramente a perspectiva econômica em sua próxima atualização do relatório Perspectivas Econômicas Mundiais em cerca de três semanas, mas "não vemos uma recessão no horizonte".
Em janeiro, o FMI elevou sua estimativa de crescimento econômico global para 2025 para 3,3%, em comparação com os 3,2% da estimativa anterior de outubro, com um aumento de 0,50 ponto percentual na perspectiva dos EUA para 2,7%, o que representa a maior parte dessa alta.
Agora, porém, Georgieva espera que a atualização do relatório, prevista para abril, quando o FMI realizar suas reuniões em Washington, de 21 a 26 de abril, reflita uma pequena "correção" para baixo nessas estimativas, disse ela.
Desde que retornou à Casa Branca em janeiro, Trump impôs tarifas de 20% sobre todos os produtos da China; ameaçou e depois adiou as tarifas de 25% sobre a maioria dos produtos do Canadá e do México; lançou taxas pesadas sobre as importações de aço e alumínio; anunciou tarifas de 25% sobre automóveis importados; e declarou que o dia 2 de abril será o "Dia da Liberação", quando ele planeja anunciar tarifas recíprocas globais.
O ritmo imprevisível dos anúncios e da implementação das taxas de importação piorou a atitude de investidores, e os principais índices de ações dos EUA caíram quase 10% desde meados de fevereiro devido à preocupação de que as tarifas desacelerem o crescimento ou até mesmo provoquem uma recessão.
Quanto mais tempo persistir a incerteza sobre a abordagem de Trump em relação à política tarifária, maior será o risco para as perspectivas, disse Georgieva.
"Quanto mais cedo houver mais clareza, melhor, porque a incerteza, como mostra nossa pesquisa, quanto mais se prolongar, mais poderá afetar negativamente o crescimento", disse ela.