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Pai que jogou filho de ponte no RS é transferido de prisão por 'segurança'

Tiago foi visto carregando a criança de bicicleta momentos antes do crime - Reprodução/Facebook
Tiago foi visto carregando a criança de bicicleta momentos antes do crime Imagem: Reprodução/Facebook
do UOL

Do UOL, em São Paulo

31/03/2025 19h14Atualizada em 31/03/2025 23h03

O homem que confessou ter matado o próprio filho após arremessá-lo de uma ponte foi transferido de unidade prisional por questões de segurança no Rio Grande do Sul.

O que aconteceu

Tiago Ricardo Felber estava detido no Presídio Estadual de São Gabriel, no município onde ocorreu o crime. A transferência dele foi na última quinta-feira (27), segundo o advogado Ricardo Leite, que representa o preso.

Advogado disse que cliente estava sendo hostilizados por outros presos. "A penitenciária de São Gabriel não tinha suporte, nem capacidade para ficar com ele [Tiago] lá", disse Leite.

Defesa optou por não divulgar a nova unidade prisional onde Tiago está detido. Procurada, a Polícia Penal também disse que não divulgaria o local de transferência do preso por segurança. Todavia, Leite esclarece ao UOL que o cliente segue no estado.

Relaxamento de prisão de Tiago já foi solicitado ao judiciário estadual, segundo a defesa. Leite ainda afirmou à reportagem que está sofrendo ataques nas redes sociais por defender o pai da vítima. "Discordância da defesa faz parte, mas xingamentos e ameaças são crimes. A Constituição Federal diz que toda pessoa terá direito a um advogado. Eu só estou trabalhando nos direitos constitucionais e processuais do Tiago. Em nenhum momento eu entrei no mérito de pactuar com o que ele é acusado de fazer", concluiu.

Relembre o caso

Theo, de cinco anos, morreu após ser arremessado de uma ponte pelo próprio pai em São Gabriel (RS). O pai da criança, Tiago Ricardo Felber, se entregou e confessou ter matado o filho.

Ele teria matado a criança para se vingar da ex-mulher, mãe do menino, segundo a investigação da Polícia Civil. Eles estavam separados desde novembro do ano passado. A mãe da criança o descreveu em depoimento como "possessivo".

Suspeito teria tentado matar a criança na noite anterior ao crime. Ao UOL, o delegado Daniel Severo disse que a criança foi esganada na segunda-feira, mas não morreu. Isso teria motivado o homem a buscar outra forma de matar a criança.

A Polícia apura se a criança morreu na queda da ponte ou afogada. De acordo com Severo, o Instituto-Geral Perícias realiza perícia para liberação de laudo.

A mãe da criança prestou depoimento e disse que a criança passava alguns dias na casa do pai, em São Gabriel. De acordo com a polícia, ela não apontou histórico de violência do suspeito, mas confirmou que o homem não aceitava o término do relacionamento.

O suspeito teria dito que matou por vingança, segundo a polícia. Em seu depoimento de confissão, ele narrou que não aceitava que a mulher tivesse outros relacionamentos, e que isso teria motivado o crime.

Investigação vai periciar aparelhos celulares de Tiago, da ex-mulher e de parentes. A casa de Tiago também passará por averiguação.

Como denunciar violência contra crianças e adolescentes

Denúncias sobre violência contra crianças e adolescentes podem ser feitas pelo Disque 100 (inclusive de forma anônima), na delegacia de polícia mais próxima e no Conselho Tutelar de cada município.

Se for um caso de violência que a pessoa estiver presenciando, pode ligar no 190, da Polícia Militar, para uma viatura ir ao local. Também é possível se dirigir ao Fórum da Cidade e procurar a Promotoria da Infância e Juventude.

Quem não denuncia situações de perigo, abandono e violência contra crianças e adolescentes pode responder pelo crime de omissão de socorro, previsto no Código Penal. A lei Henry Borel também prevê punições para quem se omite.

Funcionários públicos que se omitem no exercício de seus cargos, em escolas, postos de saúde e serviços de assistência social, entre outros, podem responder por crime de prevaricação.

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