Lula cita aniversário do golpe após 2 anos de silêncio: 'Ameaça sobrevive'
O presidente Lula quebrou o silêncio e falou pela primeira vez no mandato sobre o aniversário do golpe militar de 1964. O início da ditadura militar completa hoje 61 anos.
O que aconteceu
Presidente afirmou que as ameaças autoritárias "insistem em sobreviver" no Brasil. Em publicação no X (antigo Twitter), o petista destacou também que a data simboliza a "importância da democracia".
Hoje é dia de lembrarmos da importância da democracia, dos direitos humanos e da soberania do povo para escolher nas urnas seus líderes e traçar o seu futuro. E de seguirmos fortes e unidos em sua defesa contra as ameaças autoritárias que, infelizmente, ainda insistem em sobreviver.
Presidente Lula
Postagem é uma mudança na posição de Lula, que vinha ignorando o 31 de março desde o início do mandato. Como mostrou reportagem da Folha de S.Paulo, o governo havia decidido manter um pacto de silêncio com as Forças Armadas de não comemorar a data nos quartéis e de evitar declarações sobre o tema. No ano passado, o presidente ordenou que fossem cancelados todos os eventos do governo voltados à memória dos 60 anos do golpe militar.
Novo posicionamento vem após Jair Bolsonaro (PL) se tornar réu por tentativa de golpe de Estado. Postagem de Lula ocorre na esteira da decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), que aceitou a denúncia contra o ex-presidente na semana passada. Isso intensificou as articulações da extrema-direita no Congresso Nacional para aprovação de um projeto de lei que dê anistia aos crimes do 8 de Janeiro, ao qual aliados do petista tentam se contrapor.
Repercussão estrondosa de "Ainda Estou Aqui" também reavivou debate sobre crimes cometidos pela ditadura. O filme, que ganhou o Oscar de Melhor Filme Internacional, levou a uma rediscussão até no STF sobre o alcance da anistia dada aos militares durante a democratização do país.
Petista ainda declarou hoje que não existem caminhos fora da democracia para que o país seja "mais justo e menos desigual". Ainda se referiu ditadura militar como um dos "períodos sombrios" da história brasileira. "Não existe um verdadeiro desenvolvimento inclusivo sem que a voz do povo seja ouvida e respeitada. Não existe justiça sem a garantia de que as instituições sejam sólidas, harmônicas e independentes", disse.
Nosso povo, com muita luta, superou os períodos sombrios de sua história. Há 40 anos, vivemos em um regime democrático e de liberdades, que se tornou ainda mais forte e vivo com a Constituição Federal de 1988. Esta é uma trajetória que, tenho certeza, continuaremos seguindo. Sem nunca retroceder.
Presidente Lula
Ministros de Lula também lembraram o aniversário do golpe em postagens nas redes sociais. Eles citaram os envolvidos nos atos de 8 de Janeiro e criticaram o projeto de anistia.
Gleisi Hoffmann (PT-PR) falou sobre a necessidade de evitar novas ameaças à democracia. "É importante recordar esse período nos dias de hoje, em que estão sendo levados a julgamento os comandantes de uma nova tentativa de golpe, incluindo um ex-presidente da República tornado réu", disse a ministra da Secretaria de Relações Institucionais.
"Ditadura nunca mais. Democracia sempre. Sem anistia", postou o ministro da Casa Civil, Rui Costa. "É preciso relembrar para não repetir! O golpe militar aconteceu há 61 anos, mas hoje ainda precisamos lutar firmemente em defesa da democracia, contra o extremismo e pela justiça", falou.
Hoje é um dia para lembrarmos de quão nocivas são as ditaduras. Períodos de dores e tristes lembranças. No caso do Brasil: torturas, assassinatos, desaparecimentos, corrupção e impunidade. Por isso, neste 31 de março, a palavra de ordem é: anistia, não!
Luiz Marinho, ministro do Trabalho
Iniciada em 1964, ditadura militar se estendeu até 1985 no Brasil. Período foi marcado por dissolução de partidos políticos, eleições indiretas para presidente e outros cargos e violações dos direitos humanos, segundo documentos oficiais. Nos últimos anos, o regime tem sido defendido pela extrema direita.