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Liderança da extrema direita: quem é Le Pen, declarada inelegível na França

20.jun.24 - Marine Le Pen, líder francesa de extrema direita - Yves Herman/REUTERS
20.jun.24 - Marine Le Pen, líder francesa de extrema direita Imagem: Yves Herman/REUTERS
do UOL

Do UOL, em São Paulo

31/03/2025 10h57

Líder de extrema direita e pré-candidata à Presidência da França, Marine Le Pen está potencialmente fora das eleições de 2027 no país, após ser condenada, hoje, por desvio de fundos do Parlamento Europeu para o caixa de seu partido.

Quem é Le Pen

Le Pen, 56, é líder do RN (Reunião Nacional), maior partido de extrema direita da França. Ela já concorreu três vezes à presidência do país e perdeu as últimas duas disputas para o atual presidente, Emmanuel Macron. Para 2027, porém, era apontada por diferentes pesquisas de opinião como favorita.

É filha de Jean-Marie Le Pen, considerado "pai" da extrema-direita francesa. Conhecido por discursos teatrais marcados por polêmicas, seu pai foi condenado na Justiça diversas vezes por declarações consideradas racistas, antissemitas e xenofóbicas (relembre aqui algumas delas). Ele foi o fundador do partido Frente Nacional, rebatizado por Reunião Nacional sob a liderança de sua filha.

Ela ganhou notoriedade nos últimos anos, com a ascensão de um projeto de "feminização" da ultradireita europeia. Conforme analisou o cientista político Thomás Zicman de Barros à agência RFI, historicamente, a extrema direita era associada a "figuras masculinas autoritárias que impunham sua força e ordem de forma patriarcal, na figura do 'pai', como no caso de Jean-Marie Le Pen". Mais recentemente, porém, acrescentou Barros, a Europa acompanhou o "surgimento de figuras femininas que estão adotando um estilo diferente, refletindo uma evolução nos padrões estéticos com uma estratégia política clara".

Marine Le Pen "suavizou sua imagem" para acessar público mais amplo, diz especialista. Enquanto seu pai "dependia de provocações e de um discurso deliberadamente desagregador, apelando principalmente para um eleitorado masculino e reacionário", ela e sua comitiva perceberam que não poderiam chegar ao poder sem ampliar sua base eleitoral. "É por isso que ela suavizou sua imagem e tentou se tornar mais aceitável para um público mais amplo, principalmente para as mulheres e as classes trabalhadoras", completa o cientista político.

Em 2022, Le Pen se apresentava como uma das "revoluções" propostas por seu partido. Especialmente a partir daquele ano, sua campanha girava em torno da ideia de que ela seria a primeira mulher a ocupar o cargo de chefe de Estado na França. Durante todo o período republicano no país, que teve início em 1792, a França nunca teve uma presidente do sexo feminino.

Em seu programa de governo passado, intitulado "Para Todos os Franceses", porém, ela pouco tratou dos direitos das mulheres. Nos panfletos e discursos eleitorais, a líder do Reunião Nacional afirmava que, "como mulher", defendia que o modo de vida na França estava ameaçado e seria preciso preservá-lo, o que foi alvo constante de críticas por movimentos feministas do país.

Durante suas campanhas presidenciais ganhou apoiadores e foi alvo de críticas na UE. Enquanto dividiu opiniões na eleição de 2022, quando focou sua campanha em discursos contra a imigração e a favor da identidade francesa tradicional, foi amplamente criticada em 2017 por sua postura contra a União Europeia e a Otan, dois grandes atores na resposta da invasão da Ucrânia pela Rússia.

A condenação

Tribunal francês condenou Le Pen por fraude e a declarou inelegível. Ela foi considerada culpada por desviar recursos do Parlamento Europeu e impedida de se candidatar a cargos públicos, o que deve impedi-la de concorrer à presidência da França em 2027.

Ela também foi condenada a pagar multa de 100 mil euros (equivalente a R$ 624.050,00). Le Pen também recebeu uma sentença de quatro anos de prisão, dos quais dois serão suspensos. Os outros dois podem ser cumpridos com uma tornozeleira eletrônica em vez de sob custódia. Já a desqualificação para eleição a cargos públicos se aplica imediatamente, mesmo em caso de recurso.

Le Pen foi condenada juntamente com oito outros integrantes e ex-membros de seu partido que também atuaram como eurodeputados. Sentada na primeira fila do tribunal de Paris, ela não demonstrou reação alguma quando o veredicto foi lido.

Tribunal de Paris estimou que o esquema causou um prejuízo total de 2,9 milhões de euros ao Parlamento Europeu. O valor equivale a pouco mais de R$ 18 milhões. O grupo do RN foi condenado por usar recursos públicos europeus para o pagamento de "pessoas que na realidade trabalhavam para o partido" (leia mais aqui).

*Com RFI, DW e AFP

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