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Preso por estupro diz que mulher 'fez charme'; ela disse 11 vezes 'não'

Momento em que jovem é arrastada por criminoso para dentro de posto abandonado em Paranaguá foi gravado por câmera - Reprodução de vídeo
Momento em que jovem é arrastada por criminoso para dentro de posto abandonado em Paranaguá foi gravado por câmera Imagem: Reprodução de vídeo
do UOL

Do UOL, em São Paulo

31/03/2025 11h54Atualizada em 31/03/2025 12h04

Um homem foi preso por estupro após câmeras de segurança gravarem o momento em que ele arrasta uma jovem para um banheiro abandonado em Paranaguá (PR).

O que aconteceu

Vítima e autor do crime se conheciam de vista e se beijaram em uma festa no dia 23 de fevereiro. À polícia, a mulher contou que eles se viram pessoalmente em uma casa de shows, e que ele a abordou quando ela deixava a festa para ir para casa.

Enquanto esperava o transporte para casa, a mulher disse que queria usar o banheiro e foi orientada pelo suspeito a ir até um posto de gasolina nas proximidades. O homem, porém, não informou à vítima que o estabelecimento estava abandonado. Segundo depoimento dela à polícia, ele a acompanhou até o local, e chegando lá a estuprou.

Em um vídeo do circuito de segurança, é possível ouvir pelo menos 11 vezes a mulher dizendo que não queria ter relações sexuais. Ela também pediu para o agressor parar, segurou em uma parede para tentar se soltar, mas acabou sendo arrastada.

Vítima conseguiu fugir do local mais de 10 minutos depois, e voltou à casa de shows, onde uma amiga a aguardava com um motorista de aplicativo. Em depoimento à polícia, condutor do carro afirmou que ligou diversas vezes enquanto aguardava a vítima, que não atendia.

O caso foi registrado na delegacia no dia seguinte. Sem saber o nome completo do suspeito, a vítima levou aos policiais a rede social do homem, o que ajudou na resolução do caso.

Polícia identificou o homem e pediu prisão dele, que foi negada duas vezes. Após o primeiro pedido, o juiz determinou que uma tornozeleira eletrônica fosse colocada no suspeito. Ele não apareceu para instalar o dispositivo e um segundo pedido de prisão foi emitido à Justiça, negado novamente.

Só na terceira tentativa o pedido foi aceito. Após o terceiro pedido de prisão ter sido encaminhado pelo Ministério Público, ele foi acatado por um desembargador.

Diante dessa segunda negativa, a promotora fez um terceiro pedido de prisão direto para o tribunal de Justiça, que foi quem deu a prisão cautelar.
Thaise L. Mattar Assad, advogada da vítima, ao UOL

Suspeito foi considerado foragido e se entregou à polícia na última quarta-feira. Ao prestar depoimento, ele alegou que a jovem estava "fazendo charme" ao falar que não queria se relacionar com ele. Os detalhes do depoimento foram divulgados pela TV Globo. Vítima também disse à polícia o abuso sexual foi gravado pelo suspeito com o celular dele. Segundo a corporação, o registro não foi encontrado, mas o aparelho foi apreendido e passa por perícia.

O UOL tenta localizar a defesa do suspeito. Os dados do processo no TJPR são sigilosos e, por isso, não foi possível identificar a defesa. O espaço fica aberto para manifestações e será atualizado se houver posicionamento.

A violência sexual contra a mulher no Brasil

No primeiro semestre de 2020, foram registrados 141 casos de estupro por dia no Brasil. Em todo ano de 2019, o número foi de 181 registros a cada dia, de acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Em 58% de todos os casos, a vítima tinha até 13 anos de idade, o que também caracteriza estupro de vulnerável, um outro tipo de violência sexual.

Como denunciar violência sexual

Vítimas de violência sexual não precisam registrar boletim de ocorrência para receber atendimento médico e psicológico no sistema público de saúde, mas o exame de corpo de delito só pode ser realizado com o boletim de ocorrência em mãos. O exame pode apontar provas que auxiliem na acusação durante um processo judicial, e podem ser feitos a qualquer tempo depois do crime. Mas por se tratar de provas que podem desaparecer, caso seja feito, recomenda-se que seja o mais próximo possível da data do crime.

Em casos flagrantes de violência sexual, o 190, da Polícia Militar, é o melhor número para ligar e denunciar a agressão. Policiais militares em patrulhamento também podem ser acionados. O Ligue 180 também recebe denúncias, mas não casos em flagrante, de violência doméstica, além de orientar e encaminhar o melhor serviço de acolhimento na cidade da vítima. O serviço também pode ser acionado pelo WhatsApp (61) 99656-5008.

Legalmente, vítimas de estupro podem buscar qualquer hospital com atendimento de ginecologia e obstetrícia para tomar medicação de prevenção de infecção sexualmente transmissível, ter atendimento psicológico e fazer interrupção da gestação legalmente. Na prática, nem todos os hospitais fazem o atendimento. Para aborto, confira neste site as unidades que realmente auxiliam as vítimas de estupro.

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