Brasileiro Rodrigo Ribeyro é selecionado para residência artística do Festival de Cannes na França
O brasileiro Rodrigo Ribeyro faz parte dos cineastas escolhidos este ano para participar de uma residência artística organizada pelo Festival de Cannes. O paulista já iniciou sua estadia em Paris, onde vai se concentrar durante os próximos meses na fase de desenvolvimento de seu primeiro longa-metragem.
A cada ano, o Festival de Cannes escolhe doze jovens cineastas para uma residência artística realizada durante quatro meses e meio em Paris. Durante esse período, os diretores, que têm viagem e estadia paga pelos organizadores, podem se concentrar na elaboração de seus roteiros e no desenvolvimento de seu primeiro ou segundo longa-metragem.
"Estou muito entusiasmado. Espero que renda muito e que eu saia daqui com o projeto muito mais maduro", disse Rodrigo Ribeyro em entrevista à RFI.
O paulista está na capital francesa junto com outros cinco diretores. "É um luxo, incrível. Cada um tem sua privacidade preservada para conseguir se conectar com sua inspiração, suas questões e desenvolver o projeto", conta. "Além disso, eles dão um apoio [financeiro] mensal para que a gente possa focar no projeto. São quatro meses e meio durante os quais eles cuidam integralmente da gente. É uma residência incrível, uma oportunidade única de vida", celebra.
O cineasta ressalta que esse tipo de apoio é "fundamental", principalmente no início do processo de criação. "Se essa fase não é apoiada, a gente nunca chega em projetos de qualidade", aponta.
Durante sua estadia, Ribeyro vai trabalhar no desenvolvimento de seu primeiro longa, 'Muganga', que, como em seus projetos anteriores, se interessa pela relação entre o homem e a natureza. "Será uma pura ficção, que se passa na Serra da Cantareira, onde eu cresci", conta.
Em 2021, o paulista já tinha ficado em terceiro lugar na premiação de curtas da Cinéfondation, programa também ligado ao Festival de Cinema de Cannes, com o curta "Cantareira", que seguia a mesma temática. O projeto era seu TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) da Academia Internacional de Cinema, em São Paulo. "Esse apoio [que recebi] desde a participação do meu curta já foi essencial para que muitas coisas começassem a acontecer", relembra.
Grandes nomes passaram pela residência
Além do brasileiro, foram acolhidos nesta fase da residência a húngara Flóra Anna Buda, o italiano Andrea Gatopoulos, a chinesa Xiwen Cong, o austríaco Simon Maria Kubiena e a norte-americana Constance Tsang. Eles participam do programa entre 15 de março e 31 de julho. Um segundo grupo, também de seis cineastas, se beneficia do mesmo programa na sequência.
O projeto La Résidence du Festival de Cannes já está em sua 49ª edição. Durante esses anos, o programa recebeu mais de 250 cineastas, oriundos de 60 países. Entre os participantes da residência, muitos fizeram carreira internacional de sucesso, como a argentina Lucrecia Martel, selecionada duas vezes para o Festival de Cannes (2004 e 2008), o belga Lukas Dhont, premiado em Cannes em 2018 e 2022, ou ainda o brasileiro Karim Aïnouz, laureado em Cannes e na Berlinale, entre outros.