Argentinos continuam lutando contra a pobreza, apesar de melhora em indicador
Por Miguel Lo Bianco
BUENOS AIRES (Reuters) - A inflação mais baixa está provocando uma queda na pobreza na Argentina, que chegou a atingir mais da metade da população durante o primeiro ano de governo do presidente ultraliberal Javier Milei, embora muitos digam que não sentem qualquer mudança.
Milei, que assumiu o cargo no final de 2023, conseguiu reduzir a inflação com base em um ajuste rigoroso dos gastos públicos e um dólar barato, embora a sustentabilidade do programa que está revertendo o aumento da pobreza ocorrido no início de seu mandato esteja em dúvida devido à escassez de dólares do banco central.
"Há muita fome, há cada vez mais pessoas vasculhando lixeiras aqui, procurando comida", disse Jorge Silvero, um morador de Buenos Aires que sobrevive como catador no subúrbio de Tapiales.
A agência oficial de estatísticas argentina Indec informou nesta segunda-feira que a pobreza no país caiu para 38,1% da população no segundo semestre de 2024, enquanto o nível de indigência foi a 8,2%, abaixo dos 18,1% registrados nos seis meses anteriores.
"O atual governo demonstra que o caminho da liberdade econômica e da responsabilidade fiscal é o caminho para reduzir a pobreza a longo prazo", disse o governo na rede social X após a divulgação dos dados.
A pobreza na Argentina disparou no primeiro semestre de 2024, quando atingiu 52,9% da população, como resultado da desvalorização abrupta do peso ordenada por Milei ao assumir o cargo, o que gerou alta inflação nos primeiros meses, chegando a 118% ao ano.
No segundo semestre de 2023, quando o país estava passando por uma crise de inflação, a pobreza era de 41,7%, de acordo com o Indec.
"Agora temos estabilidade de preços, ou pelo menos estabilidade macroeconômica e inflação muito mais baixa", disse Agustin Salvia, diretor do Observatório da Dívida Social Argentina, da Universidade Católica da Argentina, à Reuters.
"Mas os níveis de renda dos trabalhadores, aposentados e pensionistas ainda estão abaixo do que eram em outubro ou novembro de 2023", acrescentou.
Para José Rolando Ailan, que estava procurando frutas e verduras descartadas do lado de fora de um mercado na cidade de Tapiales, a situação ainda é muito complicada.
"Nunca vi tantas tantas pessoas vindo aqui catar alimentos como estão fazendo agora", disse ele. "Fico triste ao ver homens e mulheres vindo aqui com seus filhos apenas para sobreviver."