Topo
Notícias

Argentina quer primeiro desembolso 'alto' do FMI

31/03/2025 11h48

O governo argentino deseja que o acordo de 20 bilhões de dólares (cerca de 115 bilhões de reais) com o Fundo Monetário Internacional (FMI), que aguarda a aprovação do conselho do órgão, inclua um desembolso inicial "alto", revelou o ministro da Economia do país, Luis Caputo. 

"Em geral, eles fazem de 20%, 30%, 40% (do total do acordo). Pedimos mais, porque, em um acordo tradicional, o que o Fundo faz é conceder desembolsos parciais em troca do cumprimento de metas fiscais e monetárias. Algo que já fizemos, no nosso caso", disse Caputo ontem ao canal LN+.

A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, declarou hoje que o pedido da Argentina de um desembolso inicial de 40% "é razoável".

O programa econômico do governo argentino, com um ajuste sem precedentes dos gastos públicos, alcançou o primeiro superávit anual em 14 anos, com uma contração econômica menor do que a esperada (-1,8% em 2024). 

Na semana passada, a Argentina revelou que pediu um empréstimo de 20 bilhões de dólares ao FMI para reforçar as reservas do Banco Central, que sofreram uma perda de 1,7 bilhão de dólares (9,8 bilhões de reais) nos últimos dez dias, em meio a uma corrida contra o peso. O Banco Central vendeu hoje US$ 143 milhões, e o preço do dólar "blue" subiu quase 2%, aos 1.325 pesos, para a venda.

"A primeira parcela do desembolso é muito importante, porque o Banco Central está muito descapitalizado", disse Caputo. Suas reservas fecharam hoje em US$ 25,05 bilhões.

O FMI confirmou na semana passada que as negociações estavam avançadas, e esclareceu que os desembolsos serão feitos "em parcelas", sem citar cifras ou prazos. 

O programa se somará ao que a Argentina assinou com o Fundo em 2018 por 44 bilhões de dólares (160 bilhões de reais em valores da época).

Caputo disse na semana passada que também negocia empréstimos com o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento. O ministro admitiu que há "incerteza" quanto aos detalhes do acordo, o que alimenta a volatilidade no mercado de câmbio. 

"Sempre haverá volatilidade, mas não há possibilidade de choques econômicos aqui porque a macroeconomia está em ordem", afirmou.

Os argentinos, acostumados a crises econômicas e desvalorizações recorrentes, contam com o dólar como moeda de reserva. 

As oscilações bruscas de preços geralmente estão correlacionadas com correções de preços internos, que impactam diretamente a inflação. 

A redução da inflação (de 211% em 2023 para 118% em 2024) foi a principal conquista econômica do governo do presidente ultraliberal Javier Milei. O país terá eleições legislativas em outubro.

sa-tev/lm/nn/aa/jc-lb

© Agence France-Presse

Notícias

publicidade