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Reale Jr.: Pedido de Gonet sobre vacinas é irrelevante para analisar golpe

do UOL

Colaboração para o UOL

28/03/2025 11h50

O pedido do procurador-geral da República Paulo Gonet para arquivar a investigação contra Jair Bolsonaro (PL) no caso da falsificação do cartão de vacinas contra a Covid-19 não interfere no inquérito sobre a tentativa de golpe de Estado, avaliou o jurista Miguel Reale Jr. em entrevista ao UOL News hoje.

Gonet alegou não haver elementos suficientes para justificar a responsabilização de Bolsonaro no caso. O pedido do procurador-geral será analisado pelo ministro Alexandre de Moraes, relator da investigação no STF (Supremo Tribunal Federal).

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Na linha de decisões anteriores do Supremo e de outros tribunais, a delação premiada não é uma prova, mas um meio de obtenção de provas. Ela [a delação de Mauro Cid] não indicou nenhuma prova. No caso das vacinas, fica-se apenas na declaração do Mauro Cid de que teria feito a falsificação do cartão de vacina a pedido do ex-presidente.

Segundo Gonet, a delação não trouxe nenhum elemento que corroborasse essa afirmação e não se tem indicação do uso desse documento. Se não, haveria o crime pelo uso de documento falso.

É irrelevante para a análise do processo de golpe de Estado essa decisão de arquivar o caso das vacinas pela ausência de elementos que o corroborem. A delação é uma indicação de como obter provas, e elas não foram indicadas e obtidas [no caso da fraude no cartão de vacinas]. Não é o que acontece nos casos dos crimes de golpe de Estado, nos quais vários outros elementos corroboram as acusações. Miguel Reale Jr., jurista

Reale Jr. reforçou que a delação premiada de Mauro Cid pode não ter fornecido elementos suficientes para sustentar a denúncia de fraude no cartão de vacinas, como justificou Gonet, mas indicou provas suficientes para ajudar a elucidar a trama golpista. Neste caso, como explicou o jurista, o depoimento do ex-ajudante de ordens continua válido.

Com relação à tentativa de golpe, há inúmeras provas. A acusação não se baseia exclusivamente na delação do Mauro Cid. Portanto, não há, como na questão do cartão de vacina, exclusivamente a informação dada pelo delator. Existem elementos probatórios corroboradores do que diz o delator e que independem da influência decorrente do depoimento dele.

Não há nenhuma semelhança e nenhum risco de contaminação do processo de golpe de Estado pelo pedido realizado pelo procurador para o arquivamento do caso do cartão de vacinas. Miguel Reale Jr., jurista

Tales: Decisão de Gonet pode trazer risco ao caso das joias e do golpe

A decisão de Paulo Gonet pode ameaçar o andamento de outros processos envolvendo o ex-presidente, na opinião do colunista Tales Faria.

Gonet alegou não haver elementos suficientes para justificar a responsabilização de Bolsonaro no caso. O pedido do procurador-geral será analisado pelo ministro Alexandre de Moraes, relator da investigação no STF (Supremo Tribunal Federal).

Temo que esta decisão traga risco ao caso das joias e ao próprio processo do golpe. Será que o Supremo vai encarar a Procuradoria? O TCU [Tribunal de Contas da União] decidiu que, no caso das joias, Bolsonaro tem direito de usá-las e ficar com elas e que não houve furto.

Essa decisão do TCU também tem suas possibilidades legais. O órgão diz que houve uma lei posterior e que se pode retroagir a legislação. Havia uma decisão do TCU sobre funcionários públicos receberem presentes, mas era posterior. Não havia e não há lei para o caso de Bolsonaro. É complicado.

O outro caso é o próprio golpe. Paulo Cunha Bueno, advogado do Bolsonaro, declarou que a investigação das vacinas foi a base do início do processo do golpe. Ele diz que há uma caça ao Bolsonaro e de provas contra o ex-presidente a partir dali, e que usará isso para tentar anular o processo do golpe. Estamos com sérios riscos a partir desta 'singela' decisão da Procuradoria. Tales Faria, colunista do UOL

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