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Israel bombardeia bairro de Beirute pela primeira vez desde início da trégua

28/03/2025 10h19

Israel bombardeou o sul do Líbano e um bairro residencial de Beirute nesta sexta-feira (28), em represália ao lançamento de foguetes do Líbano contra seu território. Este é o primeiro ataque israelense à capital libanesa desde o início da trégua, em 27 de novembro.

28.mar.2025 - Bombeiros combatem chamas em escombros após um ataque israelense em Beirute - AFP - AFP
28.mar.2025 - Bombeiros combatem chamas em escombros após um ataque israelense em Beirute
Imagem: AFP

O bairro de Hadath situado em um dos subúrbios no sul de Beirute é considerado como um reduto do Hezbollah e foi alvo de vários bombardeios durante a guerra entre Israel e o movimento apoiado pelo Irã. Antes do ataque, o Exército israelense pediu aos moradores que deixassem a área. Um enorme engarrafamento se formou nas ruas que dão acesso à região.

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"As pessoas [presentes] no bairro de Hadath" devem evacuar a área ao redor das "instalações do Hezbollah", escreveu o porta-voz do Exército israelense, Avichay Adraee, em uma mensagem publicada na rede X.

28.mar.2025 - Pessoas próximas a escombros em Beirute após um bombardeio israelense - AFP - AFP
28.mar.2025 - Pessoas próximas a escombros em Beirute após um bombardeio israelense
Imagem: AFP

As forças israelenses também realizaram ataques contra alvos do Hezbollah no sul do Líbano, que faz fronteira com Israel. Imagens divulgadas pela agência AFP na manhã desta sexta-feira mostram a fumaça na cidade de Khiam, perto da fronteira. Escolas foram fechadas em várias cidades e vilarejos após as ameaças israelenses.

Esse ataque foi uma resposta do Exército israelense. O país anunciou que dois "projéteis" foram disparados do Líbano em direção ao seu território. Um deles foi interceptado e o segundo caiu em solo libanês. O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, disse que "se não houver calma em Kiryat Shmona e nas comunidades da Galiléia", no norte de Israel, "não haverá calma em Beirute".

Hezbollah nega ataque

Esta é a segunda vez que foguetes são disparados do Líbano em direção a Israel, desde o início do cessar-fogo que encerrou dois meses de guerra aberta entre o Exército israelense e o movimento libanês apoiado pelo Irã. O último lançamento ocorreu em 22 de março.

O Hezbollah negou o ataque e disse que estava respeitando o cessar-fogo. O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, pediu na sexta-feira ao Exército que prenda os autores de foguetes lançados sul do Líbano para Israel.

Ele solicitou ao comandante-chefe do Exército, Rodolphe Haykal, "que aja rapidamente para (identificar os autores do ato irresponsável de disparo de foguetes que ameaça a segurança e a estabilidade do Líbano", disse sua assessoria de imprensa.

"O governo libanês tem responsabilidade direta por qualquer disparo em direção à Galiléia. Não permitiremos um retorno à realidade de 7 de outubro. Garantiremos a segurança do povo da Galiléia e agiremos com força diante de qualquer ameaça", disse Katz.

Fuga em massa

Após a interceptação de foguetes em 22 de março, o Exército israelense respondeu com ataques aéreos no sul do Líbano e alegou ter como alvo "dezenas de lançadores de foguetes e um centro de comando de onde terroristas do Hezbollah estavam operando". Os atentados mataram oito pessoas, de acordo com as autoridades libanesas.

O Hezbollah abriu uma frente contra Israel em solidariedade ao Hamas no início da guerra na Faixa de Gaza em 7 de outubro de 2023, disparando foguetes contra o território israelense. Os ataques se transformaram em uma guerra aberta em setembro de 2024, mataram mais de 4.000 pessoas no Líbano, destruíram áreas inteiras em redutos do Hezbollah e forçaram mais de um milhão de pessoas a fugir.

Do lado israelense, o número de mortos é de 78, incluindo 48 soldados, além dos 56 soldados mortos durante uma ofensiva terrestre lançada no Líbano no final de setembro, segundo dados oficiais. Cerca de 60.000 moradores do norte de Israel foram deslocados, metade dos quais ainda não voltou para casa, de acordo com as autoridades.

Apesar do cessar-fogo que entrou em vigor em novembro, seguido pela retirada incompleta dos soldados israelenses do sul do Líbano em 15 de fevereiro, Israel continua a realizar ataques em território libanês e os dois lados se acusam de desrespeitar a trégua.

Israel também retomou seus ataques na Faixa de Gaza em 18 de março, após uma trégua de dois meses, para forçar o Hamas a libertar os últimos reféns em suas mãos. O movimento islâmico retomou o lançamento de foguetes em direção a Israel alguns dias depois.

Macron condena ataque israelense

O presidente francês, Emmanuel Macron, declarou que o ataque israelense "inaceitável", viola o cessar-fogo e considerou que os ataques "entram no jogo do Hezbollah". O presidente do Líbano, Joseph Aoun, está em visita a Paris. Macron disse que vai conversar a respeito com o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente americano, Donald Trump. Já o presidente libanês condenou "qualquer tentativa de envolver o Líbano em uma espiral de violência".

A ONU pediu, na sexta-feira, a todas as partes que "exerçam moderação". "Um retorno a um conflito mais amplo no Líbano seria devastador para os civis de ambos os lados" da fronteira "e deve ser evitado a todo custo". "É absolutamente necessário que todas as partes mostrem moderação", disse a representante das Nações Unidas para o Líbano, Jeanine Hennis-Plasschaert, em um comunicado.

Com informações da AFP

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