Em evento evangélico, Nunes ouve bispo citá-lo como nome para governo de SP
Em uma plateia formada por centenas de pastores, o bispo da Assembleia de Deus do Brás, Samuel Ferreira, disse hoje que o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), é "inevitavelmente um nome extremamente importante" para o governo de São Paulo.
O que aconteceu
Ferreira disse que falou para Nunes que ele "não escapa", se referindo a uma possível candidatura em 2026. O bispo ressaltou que ela ocorreria, entretanto, se o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) se candidatasse à Presidência. "Deus quer que ele seja [candidato], porque daí a gente não continua nesse mandato [governo Lula] que está aí", afirmou o líder religioso.
O bispo pediu para o prefeito "sempre continuar amigos dos crentes e dos cristãos". A igreja recebeu Nunes durante a campanha eleitoral à reeleição em 2024. Ferreira se definiu não como "cabo eleitoral, mas coronel eleitoral" do prefeito. As declarações ocorreram durante a Convenção Nacional das Assembleias de Deus da Madureira.
Nunes tem feito possíveis articulações para se lançar candidato ao governo, conforme o UOL mostrou. Na segunda-feira, ele admitiu que pode deixar o mandato de prefeito antes do fim. "Minha intenção é de ficar os 4 anos como prefeito", disse. O emedebista complementou que as "coisas acabam mudando" e citou seu exemplo dizendo que não imaginava que como vice de Bruno Covas iria perder o ex-prefeito em 16 de maio.
Ao discursar, prefeito não falou sobre uma possível candidatura, mas disse que "governa dentro dos princípios cristãos". Nunes citou a derrubada de um veto na Câmara dos Vereadores ontem do projeto de lei que cria o Dia de Combate a Cristofobia. A proposta havia sido barrada pelo então prefeito Fernando Haddad (PT).
O emedebista foi definido como "prefeito discreto" e chamado de "irmão" pelo bispo. Em fevereiro, a bispa Keila Ferreira, esposa do líder religioso, morreu aos 52 anos. Um culto fúnebre reuniu políticos como Nunes, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e Tarcísio. A igreja tem representantes na política — como os deputados Cezinha de Madureira (PSD-SP), na Câmara dos Deputados, e Oséias de Madureira (PSD), na Alesp.
Temos que ter a coragem de fazer aquilo que o nosso Senhor Jesus Cristo espera de nós, que é fazer uma gestão focada naquilo que está escrito na Bíblia, cuidar da família, cuidar das igrejas. Vocês vão ter de mim sempre isso.
Ricardo Nunes, prefeito de São Paulo
Palanque político
Congresso evangélico também teve palanque para o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União), e defesa da anistia. O bispo exaltou ações de segurança implementadas em Goiás e disse que Caiado tem o apoio de "95, 98%" dos cristãos. "Bandido lá troca de profissão ou troca de estado", afirmou Ferreira.
O líder religioso defendeu ao lado de Caiado, entretanto, a candidatura de Tarcísio para Presidência. O governador de Goiás não esboçou reação ao ouvir sobre seu possível adversário —ele tem tentado se colocar como o principal nome da direita para 2026.
Depois dos discursos de políticos institucionais, o pastor Silas Malafaia, da Igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo, saiu em defesa da anistia. Por quase 15 minutos, o líder religioso criticou o STF (Supremo Tribunal Federal), as condenações dos manifestantes golpistas do 8 de Janeiro e o julgamento que tornou Bolsonaro réu por tentativa de golpe.
Malafaia disse que 30% dos condenados pelo 8 de Janeiro são evangélicos e que a maioria é da Assembleia de Deus. "São irmãos em Cristo", afirmou o pastor. Sem entrar em detalhes, o bispo Samuel Ferreira disse ao líder religioso que "não posso fazer o que você faz, mas faça".
Nós vamos ficar aqui na reta guarda. E eu te digo que no dia que tocaram em você, deixa que a briga é nossa, do povo de Deus, Nós não vamos aceitar.
Samuel Ferreira, bispo da igreja Assembleia de Deus Brás