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Além de Bolsonaro: quem mais virou réu por tentativa de golpe de Estado?

Jair Bolsonaro (PL) assistiu à sessão da Primeira Turma do STF - Antonio Augusto/STF
Jair Bolsonaro (PL) assistiu à sessão da Primeira Turma do STF Imagem: Antonio Augusto/STF
do UOL

Do UOL, em São Paulo

27/03/2025 05h30

O STF (Supremo Tribunal Federal) aceitou a denúncia contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outras sete pessoas por tentativa de golpe de Estado. Eles se tornam réus, passam a responder a uma ação penal e deverão responder em liberdade até o fim do julgamento.

Quem são os sete aliados?

Alexandre Ramagem  - Vinicius Loures/Câmara dos Deputados - Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
O deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ)
Imagem: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

Alexandre Ramagem é deputado federal. Ele ocupou a direção da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) entre 2019 e 2022 e é apontado como um dos responsáveis pela estratégia de ataque às urnas eletrônicas durante a eleição de 2022.

Ramagem também foi alvo da PF em janeiro de 2024. Na ocasião, os investigadores apuravam o esquema da "Abin Paralela". Ele chegou a depor sobre o caso em julho deste ano por sete horas. A PF encontrou um áudio em que ele combinava uma estratégia de defesa para Flávio Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro, em um processo sobre rachadinha quando ele era deputado estadual no Rio.

Almir Garnier Santos - Valter Campanato/Agência Brasil - Valter Campanato/Agência Brasil
Almirante Almir Garnier Santos
Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil

Almir Garnier Santos é ex-chefe da Marinha. Ele teria concordado com as ideias propostas nas versões das minutas golpistas discutidas com Bolsonaro e dito que sua tropa estaria pronta para aderir a um chamamento do ex-presidente.

Garnier Santos é um militar reformado e recebe a mesma remuneração de quando era da ativa: R$ 35 mil brutos. Ele comandou a Marinha de abril de 2021 a dezembro de 2022 e se tornou o primeiro comandante da Marinha da Nova República a não comparecer à cerimônia de passagem de comando para seu sucessor.

Anderson Torres - 8.ago.2023 - Sergio Lima/AFP - 8.ago.2023 - Sergio Lima/AFP
Ex-ministro da Justiça durante governo Bolsonaro, Anderson Torres
Imagem: 8.ago.2023 - Sergio Lima/AFP

Anderson Torres é ex-ministro da Justiça do governo Bolsonaro. Ele foi acusado de atuar contra as instituições democráticas e é um dos envolvidos nos ataques golpistas do dia 8 de janeiro de 2023. Na época, atuava como secretário de Segurança Pública do DF e foi suspeito de omissão. O ex-ministro chegou a ser preso, por decisão de Moraes, mas recebeu liberdade provisória em maio do ano passado, com a imposição de medidas cautelares.

Augusto Heleno - 13.abr.2019 - Aloísio Maurício/Fotoarena/Estadão Conteúdo - 13.abr.2019 - Aloísio Maurício/Fotoarena/Estadão Conteúdo
O general Augusto Heleno
Imagem: 13.abr.2019 - Aloísio Maurício/Fotoarena/Estadão Conteúdo

Augusto Heleno é general da reserva e ex-ministro de Bolsonaro. Ele é apontado como a pessoa que, ao lado do ex-presidente, participou de uma transmissão no YouTube com o objetivo de "propagar informações sem lastro, inverídicas, sobre o sistema eleitoral".

Heleno esteve ao lado de Bolsonaro no momento em que a legitimidade das eleições foi questionada. De acordo com a Polícia Federal, o general era um dos responsáveis por um esquema de disseminação de ataques ao sistema eletrônico de votação. Um dos principais indícios é uma agenda apreendida em sua casa durante a Operação Tempus Veritatis. Entre as anotações de Heleno, consta um plano para descredibilizar as urnas eletrônicas. "É válido continuar a criticar a urna eletrônica", escreveu ele.

Paulo Sérgio Nogueira - Reprodução/Youtube/Exército - Reprodução/Youtube/Exército
O Comandante do Exército, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira
Imagem: Reprodução/Youtube/Exército

Paulo Sérgio Nogueira é ex-ministro da Defesa do governo Bolsonaro. De acordo com as investigações, ele atuou para pressionar os comandantes das Forças Armadas a aderir ao plano golpista de manter Bolsonaro no poder e impedir a posse de Lula. A PF concluiu que a trama não vingou porque os chefes do Exército e da Aeronáutica se recusaram a aderir à proposta.

Walter Braga Netto - Sergio Lima - 16.fev.18/AFP - Sergio Lima - 16.fev.18/AFP
General Walter Souza Braga Netto
Imagem: Sergio Lima - 16.fev.18/AFP

Walter Braga Netto é ex-ministro da Defesa e da Casa Civil e ex-candidato a vice de Bolsonaro. Investigação aponta ele como chefe do grupo que planejou a intervenção militar. Ele teria aprovado e financiado um plano para matar o presidente Lula (PT), seu vice Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro Alexandre de Moraes.

Mauro Cid - Lucio Tavora/Xinhua - Lucio Tavora/Xinhua
24.ago.2023 - O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro
Imagem: Lucio Tavora/Xinhua

Mauro Cid é ex-ajudante da Presidência. Ele é suspeito de ser um dos responsáveis pelo grupo que fez o plano de golpe. Cid teria participado de reuniões na casa do ex-ministro de Bolsonaro, Walter Braga Neto, onde o golpe teria sido gestado. O tenente-coronel também estaria no Palácio, assim como Bolsonaro, no momento em que o documento golpista foi impresso pelo general Mário Fernandes.

Também era a Cid que recebia informações sobre o monitoramento de Moraes, Lula e Alckmin. Trocas de mensagens entre os investigados foram divulgadas pela PF. Os codinomes "professora, "Jeca" e "Joca" eram utilizados para se referir a Moraes, Lula e Alckmin, respectivamente.

Delação de Cid foi essencial para investigações sobre tentativa de golpe avançarem. Único colaborador nesta investigação, o ex-ajudante de ordens acompanhava de perto a rotina de Bolsonaro e trouxe à tona relatos e detalhes que permitiram às investigações avançarem sobre o ex-presidente e seus aliados. Mesmo sendo colaborador, ele foi denunciado.

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