Cúpula em Paris discute apoio a Kiev em caso de cessar-fogo com Rússia
A imprensa francesa desta quinta-feira (27) analisa o encontro entre o presidente Emmanuel Macron e o chefe de Estado ucraniano Volodymyr Zelensky, na quarta-feira (26), um dia antes do início de uma cúpula em Paris para finalizar as garantias de segurança a Kiev, em caso de um acordo de paz com a Rússia.
Impopular na França, Macron se tornou a personalidade internacional preferida pelos ucranianos. Sua popularidade, que ultrapassou a de Zelensky, é destacada pelo Libération, que cita uma pesquisa do Instituto Rating, realizada em fevereiro. De acordo com o levantamento, 77% dos ucranianos aprovam a ação de Macron, enquanto o índice de popularidade de Zelensky é de 75%. "Uma curiosa volta por cima do outro lado da Europa", ironiza o jornal.
Le Figaro traz uma entrevista exclusiva com Zelensky, que afirma estar em contato com Macron praticamente todos os dias. O presidente ucraniano também pediu armas e soldados para garantir um acordo de paz com a Rússia. Zelensky reiterou que não cederá territórios à Rússia e sugeriu que os ativos russos congelados na Europa sejam usados para fortalecer o exército de seu país.
Na entrevista, o líder ucraniano relembrou o episódio do bate-boca com o presidente americano Donald Trump na Casa Branca. Cauteloso, Zelensky disse preferir não especular sobre as razões do ocorrido, afirmando que é necessário mais tempo para entender o que realmente aconteceu.
Promessa de ajuda
Le Parisien destaca a promessa de ajuda de € 2 bilhões de Paris a Kiev, às vésperas da cúpula de "voluntários" pela Ucrânia, que reúne representantes de 30 países em Paris nesta quinta-feira (27). A ajuda permitirá a compra de mísseis, sistemas de defesa aérea, veículos blindados, tanques, munições e drones, entre outros equipamentos. Macron também se comprometeu a oferecer mais apoio nas áreas de informação e inteligência.
Segundo Zelensky, "a questão mais importante é saber quem está pronto a se comprometer, com quais contingentes e para fazer o quê". Macron, por sua vez, respondeu que os militares europeus não iriam ao front de batalha, mas estariam presentes no território ucraniano para prevenir uma nova agressão russa. Contudo, o jornal descarta que anúncios importantes sejam feitos após a cúpula desta quinta-feira.