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Vacinação infantil cresce, e SP atinge imunidade de rebanho para pólio

Cobertura da vacina contra a poliomielite subiu de 89,4% para 91,8% em 2024 - Fernando Frazão/Agência Brasil
Cobertura da vacina contra a poliomielite subiu de 89,4% para 91,8% em 2024 Imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil
do UOL

Do UOL, em São Paulo

27/03/2025 14h08Atualizada em 27/03/2025 15h15

A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo anunciou hoje que os níveis de cobertura de todos os imunizantes do calendário básico infantil cresceram no ano passado e que a vacinação contra pólio ultrapassou 90%, atingindo o patamar de imunidade de rebanho.

O que aconteceu

Desde 2022, imunização contra poliomielite para crianças subiu mais de 14 pontos percentuais. O índice de cobertura, de acordo com dados do governo estadual, foi de 77,1% para 91,8% em 2024.

Secretário da Saúde, Eleuses Paiva, disse que havia temores sobre um eventual retorno da doença no início do governo. "Você imagina a insegurança que tínhamos quando assumimos em 2022 com a cobertura de 77%. Hoje, nós parcialmente superamos essa baixa cobertura vacinal, não só em São Paulo, como no Brasil inteiro", disse. "Acima de 90% [de cobertura], já estamos com imunidade de rebanho. Tenho certeza de que estamos no caminho certo para poder realmente superar essa crise que, há dois anos, era iminente."

Em todo o país, o nível de imunização contra a pólio ficou em 89,5%, ligeiramente abaixo do patamar da imunidade de rebanho, segundo dados do Ministério da Saúde. Os números nacionais também subiram na comparação com dois anos atrás, quando o nível era de cerca de 70% de cobertura.

[O aumento da vacinação] mostra que as estratégias montadas são adequadas e que já nos dão a garantia, por exemplo, de ter uma imunidade de rebanho em pólio, mas não ainda a garantia da erradicação, que é de 95% o número proposto pela Organização Mundial de Saúde. Vamos continuar as estratégias para atingir todas as metas.
Eleuses Paiva, secretário estadual de Saúde

O que é imunidade de rebanho

Imunidade de rebanho consiste em atingir um ponto em que há uma quantidade suficiente de pessoas imunes ao vírus para interromper a transmissão comunitária. Com menos indivíduos suscetíveis ao vírus, ele vai aos poucos deixando de circular. Ela também é chamada de imunidade de grupo ou imunidade coletiva.

Isso não significa o fim dos cuidados. A proteção coletiva que a imunidade de rebanho nos daria é sempre pensada no âmbito do uso de vacinas, segundo especialistas ouvidos por VivaBem.

Níveis de imunização infantil em SP crescem em 2024

Os índices melhoraram no estado para todos os imunizantes do calendário básico infantil na comparação com o ano a anterior. Em 2023, só três vacinas tinham cobertura acima de 90%. O maior salto foi no da BCG, cuja cobertura passou de 79,9% para 90,3% em um ano — alta de pouco mais de dez pontos percentuais.

Vacinas com cobertura superior a 90% no estado:

  • Tríplice viral (primeira dose): 98,7% (era 92,5% em 2023)
  • Pneumocócica: 92,6% (era 91,2%)
  • Pentavalente: 91,8% (era 88,9%)
  • Poliomielite: 91,8% (era 89,4%)
  • BCG: 90,3% (era 79,9%)
  • Rotavírus: 90,2% (era 89,5%)
  • Meningocócica: 90,2% (era 90,1%)

Apenas os imunizantes contra febre amarela, tríplice viral (segunda dose) e hepatite A ficaram abaixo de 90%. Ainda assim, os níveis das três também subiram em relação a 2023.

Vacinas com cobertura inferior a 90% no estado:

  • Hepatite A: 89,2% (era 85,3% em 2023)
  • Tríplice viral (segunda dose): 86,9% (era 77,5%)
  • Febre amarela: 81,2% (era 79,6%)

A cobertura no estado foi superior à média nacional para quase todas as vacinas. A exceção é a BCG, que ficou abaixo da média divulgada pelo Ministério da Saúde (93,4%), apesar de a cobertura ter crescido.

Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, o crescimento na imunização é resultado de um aumento nos repasses aos municípios, condicionados a metas que incluem a cobertura vacinal. Além disso, houve campanhas de conscientização e uma política de valorização do profissional de saúde, de acordo com o secretário.

O que é poliomielite

A pólio é uma infecção causada por um vírus que afeta principalmente crianças menores de cinco anos. A maioria das pessoas infectadas não apresenta sintomas, mas a doença pode causar febre, dor de cabeça, vômito e rigidez da coluna. Em casos graves, a pólio pode invadir o sistema nervoso e causar paralisia em poucas horas, segundo a OMS. A agência da ONU estima que 1 em cada 200 casos de poliomielite resulte em paralisia permanente, normalmente das pernas. Entre as crianças com paralisia, até 10% morrem quando os músculos respiratórios ficam paralisados.

O vírus se espalha de uma pessoa para outra e entra no corpo pela boca. Ele é transmitido mais frequentemente pelo contato com resíduos de uma pessoa infectada, ou, com menos frequência, por meio de água ou alimentos contaminados.

A poliomielite foi eliminada na maioria dos lugares, em razão de um esforço de décadas para combater a doença. Mas a pólio ainda é uma das doenças mais infecciosas do mundo e continua se espalhando em um pequeno número de países.

*Com informações de reportagem publicada em 7/5/21 e Estadão Conteúdo.

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