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"Rancho do horror" no México era local de treinamento do cartel e não "campo de extermínio"

25/03/2025 17h32

CIDADE DO MÉXICO (Reuters) - O ministro da Segurança do México disse nesta terça-feira que não há evidências de que o chamado "rancho do horror", repleto de restos humanos, tenha sido um "campo de extermínio", mas sim um local de treinamento do cartel, onde aqueles que resistiam ao recrutamento eram mortos.

A descoberta no início deste mês do local, repleto de fragmentos de ossos, cinzas e supostos crematórios improvisados, além de centenas de sapatos e mochilas, chocou o México, um país entorpecido por quase duas décadas de violência sangrenta dos cartéis.

"É completamente diferente ter assassinatos ou torturas em uma propriedade de ela ter sido usada como um campo de extermínio", disse o Ministro da Segurança, Omar Garcia Harfuch, na manhã desta terça-feira.

"Um campo de extermínio é um lugar onde centenas e milhares de pessoas são sistematicamente assassinadas, acho que todos nós entendemos isso", acrescentou.

"No momento, repito, não temos nenhuma evidência (...) de que tenha sido um campo de extermínio, mas sim um local de treinamento."

No início deste mês, um grupo ativista de busca de pessoas desaparecidas encontrou o rancho em Teuchitlan, uma área rural a cerca de 64 km da capital de Jalisco, Guadalajara.

Na época, eles disseram que parecia ter sido usado como um "campo de extermínio".

Embora a descoberta de valas comuns não seja rara, a possibilidade de o local ter sido usado para assassinatos sistemáticos causou um profundo sentimento de horror no país, onde mais de 124.000 pessoas desapareceram e poucas foram encontradas.

O principal promotor do México disse que as autoridades estaduais não realizaram a investigação inicial após a descoberta do rancho em setembro passado. Ele foi então deixado abandonado e sem supervisão até que o grupo de busca de ativistas o encontrou no início deste mês.

Agora, investigadores federais assumiram o controle do caso.

Autoridades mexicanas disseram que prenderam um suspeito, conhecido como "Comandante Lastra", que as autoridades acusam de liderar o recrutamento no rancho para o notório Cartel da Nova Geração de Jalisco.

Segundo as autoridades, muitos aspirantes a recrutas foram atraídos para o rancho sob falsos pretextos, por meio de anúncios nas mídias sociais com falsas oportunidades de emprego.

Mas, uma vez no rancho, aqueles que se recusavam a ser treinados e recrutados para as fileiras do cartel, ou aqueles que tentavam escapar do local, eram torturados ou mortos, disse Garcia nesta terça-feira.

(Reportagem de Laura Gottesdiener)

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