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Dias alternados e só 4 h: Venezuela muda horário de trabalho por crise de energia

16.mar.2025 - Apagão deixou a cidade de Maracaibo no escuro - Jose Issac Bula Urrutia / REUTERS
16.mar.2025 - Apagão deixou a cidade de Maracaibo no escuro Imagem: Jose Issac Bula Urrutia / REUTERS

Elianah Jorge, na Venezuela

25/03/2025 08h52

A Venezuela iniciou a semana com uma redução dos horários de trabalho do funcionalismo público. Ao anunciar a decisão na noite de domingo (23), o governo alegou uma menor produção de energia, causada pela estiagem decorrente do aquecimento global. A medida, em vigor por seis semanas, surpreendeu a população. Especialistas afirmam que a restrição é uma forma discreta de racionar a eletricidade.

Não houve explicação formal sobre o repentino anúncio da redução do horário do funcionalismo público na Venezuela. Nesta segunda-feira (24), organismos públicos começaram a trabalhar das oito horas da manhã até o meio-dia, e em dias alternados. Apenas serviços essenciais, como escolas, serviços médicos e delegacias, irão manter a tradicional carga horária.

A meta do governo é evitar novos problemas de eletricidade no país. No comunicado publicado na noite de domingo, o governo explicou que os "poderes públicos darão o exemplo nas próximas semanas de dura seca pelo aquecimento global". O texto detalha que "motivado pelo aumento da temperatura em escala mundial, estamos enfrentando um evento climático que afeta o nível da água nas represas que geram energia elétrica na região andina".

Há semanas a Venezuela enfrenta altas temperaturas. Além disso, uma forte estiagem afeta boa parte do país. Há risco de seca de rios e queda no nível de água do Guri, a principal represa venezuelana.

A precipitação do anúncio, com a falta de campanhas informativas prévias, deixou os venezuelanos confusos. Até mesmo aqueles que trabalham nos organismos públicos foram pegos de surpresa.

Em Caracas houve mais filas que o normal nas sedes do SAIME, o Serviço Administrativo de Identificação, Migração e Estrangeira. Este é o organismo responsável por emitir carteiras de identidade e passaporte aos venezuelanos, além de renovar o visto de turistas e de estrangeiros residentes.

Nas últimas semanas, o governo anunciou uma jornada de emissão de carteiras de identidade. As filas já eram grandes e havia desorganização. Com a restrição de horário, o processo ficou ainda mais lento e complexo.

Filas e críticas

Pelas redes sociais houve quem criticasse a medida, sobretudo pela falta de organização prévia. Para evitar tumultos, organismos com atendimento ao público divulgaram pelas redes sociais seus novos horários de funcionamento.

O governo pediu à população para manter a temperatura dos aparelhos de ar-condicionado em 23 graus, aproveitar a luz natural e desconectar aparelhos fora de uso. Nas últimas semanas, o país passou de um clima fresco, com cerca de 15 graus pela manhã, para temperaturas que superam os 30 graus durante o dia. Com a mudança, houve o aumento no consumo de aparelhos para resfriar ambientes, alimentos e bebidas.

Em certos bairros da capital tem sido constantes as flutuações ou a falta de eletricidade, por poucos minutos ou até mesmo por algumas horas. Este problema é comum no interior do país, onde há quase uma década há constantes racionamentos e cortes elétricos.

A população teme que ocorra um apagão. Em agosto passado, diversos estados do país, entre eles a capital Caracas, ficaram sem eletricidade por cerca de oito horas. A situação mais grave aconteceu em 2019, quando um mega-apagão deixou todo o país às escuras por vários dias.

Eleição à vista

O horário reduzido da administração pública, vigente pelas próximas seis semanas, pode atrapalhar o processo de inscrição de eleitores no processo eleitoral. Muitas pessoas estão com a carteira de identidade vencida, documento obrigatório para votar. Em geral, são longas as filas para solicitar um novo documento. Da entrada à emissão e entrega demora cerca de uma semana com o serviço público trabalhando em horário normal.

De acordo com o cronograma anunciado pelo governo, o horário normal de funcionamento dos entes públicos voltaria apenas em 04 de maio, poucos dias antes da eleição - agendada para 25 de maio. Caso não haja uma jornada especial para a emissão da carteira de identidade, muitos votantes podem ficar de fora do pleito que vai eleger governadores, prefeitos e legisladores.

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