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Ex-segurança é preso por falso testemunho em julgamento da morte de Maradona

25/03/2025 19h45

O ex-segurança de Diego Maradona foi preso nesta terça-feira (25) acusado de prestar falso testemunho no julgamento que busca estabelecer a responsabilidade de sete profissionais de saúde na morte do astro do futebol, em uma audiência na qual também prestou depoimento uma de suas filhas, Jana Maradona.

Julio Coria foi detido dentro do tribunal em San Isidro, um subúrbio de Buenos Aires, no âmbito do julgamento que começou há duas semanas e no qual estão sendo analisadas as responsabilidades da equipe médica no falecimento de Maradona, ocorrido há quatro anos.

Coria estava na casa de Maradona, em um bairro privado de Tigre, perto de San Isidro, onde o astro do futebol faleceu aos 60 anos. Ele realizou respiração boca a boca até a chegada dos médicos.

A promotoria interrompeu várias vezes seu depoimento e pediu que o ex-segurança fosse retirado da sala, ao notar "contradições e omissões" em suas declarações.

Os três juízes consideraram "acertadas as referências feitas pelo promotor em relação ao crime de falso testemunho" do depoente, que foi algemado e retirado da sala de audiências.

Coria permanecerá detido por um dia e será aberto um processo por falso testemunho. Se for considerado culpado, ele pode enfrentar penas de até 5 anos de prisão, disse à AFP o advogado de uma das partes. Anteriormente, o juiz alertou ao depoente que ele poderia ser sentenciado a até 10 anos de prisão.

O ex-segurança afirmou que não havia conversado com Leopoldo Luque, o médico pessoal de Maradona, que é réu no processo, mas a acusação apresentou diversas conversas por mensagem de texto entre os dois. Coria disse que "não se lembrava" dessas conversas.

Fernando Burlando, advogado de Dalma e Gianinna Maradona, também filhas do astro, apresentou uma conversa posterior ao falecimento na qual Luque e Coria combinavam um encontro para comer "um churrasco". A promotoria pediu a prisão ao sustentar que o depoente estava "sendo falso de forma eloquente".

"Um depoente que omite, que distorce a verdade, que oculta, que, diante da prova contundente de sua própria conversa, continua negando a verdade, não tem outra consequência além da que pudemos realmente observar, que é a detenção e a investigação por falso testemunho", disse Burlando à AFP ao final da audiência.

Coria também declarou que a psiquiatra Agustina Cosachov, outra acusada, tentou reanimar Maradona, mas em seus depoimentos anteriores ele não havia dado essa informação.

O advogado de Cosachov, Vadim Muschanchuk, comentou que a prisão do depoente se deve a "questões técnicas" do julgamento: "Certamente será esclarecido no outro processo [por falso testemunho], que o depoente não mentiu", afirmou à AFP.

- O depoimento de Jana -

Também prestou depoimento Jana Maradona, uma das filhas de Diego Armando Maradona, que afirmou ter confiado "tanto profissionalmente quanto humanamente" nos médicos ao decidir realizar a internação domiciliar de seu pai.

A filha da lenda do futebol, de 28 anos, afirmou que seu pai "ficava feliz" sempre que via Luque e que este "enfatizou que uma internação domiciliar era o necessário".

Jana, filha extramatrimonial de Maradona, iniciou contato com ele em 2014 e é uma das demandantes no processo, junto com seus quatro irmãos e suas tias.

Ela contou que visitou o pai junto com a irmã Gianinna uma semana antes de sua morte, mas que naquele dia ele "estava de mau humor" e o psicólogo sugeriu que parassem de ir e "esperassem até que ele pedisse para ver a família".

Também relatou que naquele dia o notou "inchado", coincidindo com outros depoentes que afirmaram que não havia equipamentos médicos na casa, e chorou ao relembrar o momento em que um conhecido lhe avisou da morte do pai.

Sete profissionais de saúde (médicos, enfermeiros, a psiquiatra e um psicólogo) são acusados de homicídio com dolo eventual, uma figura que implica que eles sabiam que suas ações poderiam causar a morte da estrela do futebol. Uma oitava acusada - uma enfermeira - será julgada em um processo separado.

O ídolo do Boca Juniors, da Argentina, e do Nápoles, da Itália, que teve períodos de excessos durante sua agitada vida, faleceu devido a um edema pulmonar em 25 de novembro de 2020, enquanto estava sob os cuidados desses profissionais após uma neurocirurgia.

Este julgamento, que começou em 11 de março, deve se estender até julho, e espera-se que cerca de 120 testemunhas declarem. Os acusados defendem sua inocência e podem ser condenados a penas de 8 a 25 anos de prisão.

Os promotores ainda não divulgaram quem serão as testemunhas na próxima audiência, que ocorrerá na quinta-feira.

tev/lm/llu/am

© Agence France-Presse

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