Políticos franceses condenam ataque antissemita contra rabino de Orléans
Arié Engelberg foi atacado na cidade de Orléans, na região central da França, no sábado (22), quando voltava da sinagoga com seu filho de 9 anos. Um jovem lhe perguntou se ele era judeu, insultou-o e, em seguida, lhe deu um soco e uma mordida no ombro. A cena foi parcialmente gravada em vídeo por uma testemunha e amplamente compartilhada nas redes sociais. A polícia prendeu o suposto agressor, um menor de 16 anos, que não possui antecedentes criminais.
O ataque ocorreu às 13h30 (hora local), em uma rua no centro de Orléans. As imagens mostram o agressor, um jovem de capuz, agredindo o rabino repetidamente na presença de seu filho. A agressão só termina quando um pedestre, alertado pelos gritos, intervém.
O suspeito foi preso no sábado (22) à noite. Trata-se de um rapaz de 16 anos que afirma ser palestino, mas sua identidade e nacionalidade estão sendo verificadas, de acordo com a mídia francesa Franceinfo.
Yann Chaillou, que estava presente no momento do ataque, fundador da associação 'Tous Orléans' e candidato a prefeito, disse ao jornal francês Libération que não há dúvida de que foi um ataque antissemita. "Eu vi um judeu sendo atacado porque ele é judeu", declarou.
De acordo com a mesma fonte, o rabino Engelberg disse que o agressor lhe perguntou se ele era judeu, antes de lhe dizer que "todos os judeus são filhos da p...", escreve o jornal Libération.
O "veneno" do antissemitismo
No domingo, o presidente francês Emmanuel Macron denunciou o "veneno" do antissemitismo, prometendo não ceder ao "silêncio ou à inação".
"O ataque ao rabino Arié Engelberg em Orléans nos chocou profundamente. Expresso meu total apoio a ele, a seu filho e a todos os nossos compatriotas de fé judaica, em nome da nação", escreveu o chefe de Estado no X.
Outros líderes políticos também denunciaram o ataque antissemita. Entre eles, o coordenador nacional do partido de esquerda radical, França Insubmissa (LFI), Manuel Bompard, que expressou seu apoio ao rabino, "sua família e amigos", e descreveu o ataque como "insuportável".
O partido da esquerda radical é acusado por outras forças políticas de ter antissemitas em seus quadros, algo que a sigla rejeita.
Ataques antissemitas disparam na França
De acordo com dados do Ministério do Interior da França, 1.570 atos antissemitas foram registrados em 2024, 6% a menos do que no ano anterior. Os incidentes antissemitas representam 62% de todos os incidentes antirreligiosos, 65% dos quais envolvem ataques a indivíduos. Esse não é o caso de outras religiões, em que os ataques a propriedades representam a maioria das agressões.
Em janeiro passado, o Crif, o Conselho Representativo das Instituições Judaicas Francesas, denunciou o nível "histórico" de tais ataques pelo segundo ano consecutivo, com uma "explosão" de agressões desde 7 de outubro de 2023, data do ataque do Hamas contra Israel, que provocou uma resposta imediata do governo israelense.
(Com AFP)