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Sálvio quase desistiu de apitar ao ver um corpo no campo: 'Era do árbitro'

Sálvio Spínola, ex-árbitro de futebol  - Arquivo Pessoal
Sálvio Spínola, ex-árbitro de futebol Imagem: Arquivo Pessoal
do UOL

Do UOL, em São Paulo

23/03/2025 05h30

Ex-árbitro e hoje comentarista da TV Record, Sálvio Spínola relembrou um episódio impactante do início da carreira, nos anos 1990.

"Fui apitar um jogo em Diadema e, ao chegar ao estádio, o zelador me disse que poderia haver atraso", contou. "Quando olhei para o campo, havia um corpo coberto. Era um árbitro que, na tarde anterior, tinha sido assassinado durante uma partida".

"Naquele dia, desisti de apitar. Demorei dois meses para voltar aos gramados. Isso me fez repensar muito a carreira".

Ele relembrou ainda um dos momentos mais difíceis da carreira: a marcação de um pênalti decisivo na última rodada das eliminatórias da Copa do Mundo de 2010.

"O jogo foi Equador 1 x 2 Uruguai, em Quito. O pênalti foi contra a seleção equatoriana e tirou o país da Copa. Quando saí do estádio, foi terrível. Cheguei ao hotel e vi o presidente na TV dizendo que ia decretar pena de morte para mim. Imagine você ter que se deparar com isso".

Para deixar o Equador em segurança, Sálvio Spínola contou com a ajuda do árbitro equatoriano Jorge Zambrano. "Saí pela rua de trás do hotel, ele me pegou lá e me levou até o aeroporto".

A pressão das redes sociais

Com a evolução da internet, a pressão sobre os árbitros aumentou. "Hoje é pior. Clubes, dirigentes e torcedores recorrem às redes sociais para criticar o árbitro. O problema é que a crítica vai além da parte técnica, atinge o ser humano. Isso é muito pior".

Ele destaca a importância do equilíbrio emocional para a tomada de decisões no futebol. Em tempos de VAR e olhares minuciosos em cima da arbitragem, ele conhece de perto a dificuldade da profissão e já passou por diversas situações complicadas.

Para ele, é preciso equilíbrio para atuar em alto nível: "A saúde mental do árbitro é fundamental para tomar decisão. Se o árbitro estiver com qualquer problema mental, desconectado, desconcentrado, aí é o início do erro".

Segundo ele, o Programa de Saúde Mental para atletas também deve abranger os árbitros. "Ele tem que estar preparado e saber se proteger do que acontece nas redes sociais", disse, durante participação do lançamento do Programa Saúde Mental do Atleta, promovido pelo Sindicato de Atletas Profissionais de São Paulo, pelo presidente Rinaldo Martorelli e o neurologista Dr. Renato Anghinah.

O impacto do VAR e pressão psicológica

Favorável ao uso do árbitro de vídeo, Sálvio defendeu a tecnologia no futebol. "O futebol de altíssimo rendimento não pode depender só do ser humano para tomar decisões. O que se pode discutir é o protocolo e os momentos de intervenção, mas sem imagem é inaceitável hoje".

Sobre quais árbitros se destacam pelo controle emocional, Sálvio citou dois nomes. "Rafael Rodrigo Klein, do Rio Grande do Sul, e Matheus Candançan, de São Paulo. São jovens, mas demonstram justiça e equilíbrio".

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