Wesley, agora na seleção: 'Vontade de aprender foi maior que a tristeza'

Wesley contou, durante a sua primeira entrevista coletiva pela seleção brasileira, como transformou as vaias em aplausos no Flamengo.
A volta por cima
Wesley foi de "perseguido" pelo torcedor do Flamengo para uma unanimidade. Quem pedia pela saída do lateral-direito agora torce pela permanência por muito tempo.
O jogador de apenas 21 anos afirmou que a vontade de aprender era maior do que a tristeza pelas críticas. A motivação era mudar as opiniões dentro do próprio clube e na torcida depois da negociação frustrada com a Atalanta (ITA).
Wesley se surpreendeu quando ouviu o primeiro pedido pela convocação à seleção, mas entendeu que estava no caminho certo. Esse coro aumentou até o chamado do técnico Dorival Júnior.
Aquilo para mim foi aprendizado, aquele momento fez eu pensar no que eu faria. Me lamentar, escutar o que falam de mim… Algumas coisas eram verdade. Ou melhorar para verem que estou errado? Construí minha família de novo, Gerson e meu empresário ajudaram. Querer aprender nos treinos. Minha vontade de aprender foi maior que a minha tristeza. Não fui para Atalanta e comecei a evoluir. Quando o primeiro disse que eu tinha que ir para a seleção eu pensei: "Esse cara está maluco". Percebi que era o caminho certo, melhorei, evoluí e quero aprender muito mais
Veja todas as respostas da entrevista de Wesley
Primeiros momentos na seleção
"Só queria agradecer ao Dorival pela oportunidade, vivo um sonho de vestir essa camisa que almejei sempre. Ainda não treinei, só tivemos regenerativo. Hoje será o primeiro treino com todos os companheiros. Ter Gerson, Alex e Ortiz é muito bom, passa a sensação de que estou em casa. As expectativas são as melhores.
Volta por cima no Flamengo - falta paciência?
"Sim, falta, mas vai muito do jogador. Entender o momento em que está. Em 2023 eu comecei a ser titular, oscilando bastante e podendo melhorar. Cheguei, botei meu pé lá, oscilei, 2024 todos vocês sabem que foi ano de aprendizado para mim. A impaciência da torcida me fez criar um negócio na minha cabeça: "o que tenho que fazer?". Todos que passam por isso precisam tomar uma atitude. Eu tomei e teve resultado. Se a torcida estava me cobrando, é porque sabia o que eu estava fazendo e onde poderia chegar".
Render na seleção como no clube
"Pergunta para o cara errado [risos]. Se eu tiver oportunidade vou me entrosar rápido, como tenho tentado no almoço. Entrosamento é primordial. Jogadores do Liverpool, Arsenal, jogam mais contra do que juntos. Pouco tempo de trabalho atrapalha. Tem que ter paciência, entrosamento é com o tempo. Se esse time estiver entrosado, chega longe".
Estreia contra adversários difíceis - adaptação e ajuda do Gerson
"São dois jogos que todo mundo sonha em jogar, jogos grandes. Todos que vestem camisa estão acostumados com jogos grandes e pressão. Vamos seguir o plano do Dorival, fazer o que ele pedir. Com esse time entrosado, com os talentos que tem. Vini, Rodrygo. Olho para eles e só via pela TV, agora falam comigo, estou sentado com eles. Estou muito feliz com isso. Eu soube da convocação, vocês viram o vídeo, foi uma gritaria e não ouvi o nome dele. Pesquisei, senti alívio por ele vir. Peço conselho, às vezes nem peço e ele fala é assim, é assado. Eu falo: "Caramba, paizão, é seleção". Ele fala que mudou a chave. Estou mais nervoso para treinar do que para a coletiva".
Pressão pelos resultados
"Chego agora, todos os jogadores sabem nossa posição. Todos querem ganhar, ninguém quer perder. Por serem jogadores de Champions e Premier League, jogos assim são para jogadores grandes. Temos expectativa de ganhar para depois pensar na Argentina. Tomara que saíamos com seis pontos".
Conselhos do Filipe Luís
"O Filipe Luís é treinador, mas virou amigo. Éramos companheiros. Sempre o vi como referência, apesar de ser lateral oposto. Caramba, ele é muito bom, tenho que fazer algo parecido com ele. Eu peço ajuda, tudo que ele fala para eu melhorar: "Filho, vem treinar isso". Bola nas costas, lançamento, cruzamento. Tudo que ele fala nos vídeos eu peço para treinar com ele no final, posicionamento de corpo. Sobre a seleção ele não disse nada, numa entrevista ele só falou: "Vai lá". Quem está aqui é o Dorival e acho que quem tem que me dar conselho é o Dorival.
Estilo de jogo ofensivo
"Espero ajudar bastante com meu jogo ofensivo, que hoje é meu forte. Mas primeiro preciso pensar em defender. Estamos estudando bastante a Colômbia, se eu for titular que eu possa ajudar. Peço conselho para Dorival, Juan, que estão me ajudando. Se eu estiver bem defensivamente a parte ofensiva vai por si só".
Concorrência por posição
"Muito feliz por participar dessa competição de posição. Vanderson, do Monaco, até falei para ele ontem que em 2021 ele estava no Grêmio e eu na base: "Caramba, tu joga para c…" Com a minha idade ele estava no profissional e eu queria ser que nem ele. É uma briga sadia, todos vêm para brigar pela titularidade e isso aumenta o nível. Só tem jogador bom, não dá para relaxar. Todos os treinos têm que ser para matar um leão por dia".
Papo sobre a defesa
"Minha equipe é sobre analista e empresário. Como é a primeira vez, CBF mandou vídeos de compactação, esse negócio de bloco alto, bloco médio, devem ter passado para os outros jogadores também. Meus empresários pegaram os vídeos e me passaram para ter noção do adversário. Estando bem defensivamente o ataque vai por si só".
Das vaias à afirmação
"Aquilo para mim foi aprendizado, aquele momento fez eu pensar no que eu faria. Me lamentar, escutar o que falam de mim… Algumas coisas eram verdade. Ou melhorar para verem que estou errado? Construí minha família de novo, Gerson e meu empresário ajudaram. Querer aprender nos treinos. Minha vontade de aprender foi maior que a minha tristeza. Não fui para Atalanta e comecei a evoluir. Quando o primeiro disse que eu tinha que ir para a seleção eu pensei: "Esse cara está maluco". Percebi que era o caminho certo, melhorei, evoluí e quero aprender muito mais".
De onde veio a força?
"Foi a minha história de vida. Eu pensei em desistir do futebol, desistir de novo? Não. Se cheguei aqui vou arrumar um jeito. Botei isso na minha cabeça, acordava motivado mesmo com todo mundo me xingando. Fiz o cenário mudar".
Arias
"Ele é jogador de seleção, muito qualificado, dá trabalho para todo mundo. Recebemos os vídeos, deve ter vídeo individual para todos os setores. Vou estudar ele mais, apesar de ter jogado contra muitas vezes. Não pode deixar ele pensar, não dar espaço, ele é forte. Vou fazer o máximo se eu estiver em campo para anulá-lo".