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Sem anistia: brothers prometem perdão geral, será que isso é possível?

do UOL

Vladimir Maluf*

29/03/2025 12h00

Na madrugada de sexta-feira, 28, Diego Hypólito teve uma conversa interessante com seus aliados. Em suma, ele estava comentando que não concorda com a ideia de que, dentro da casa é um jogo, mas, fora dela, as amizades continuam, independentemente do que foi dito durante o confinamento. Será que isso é possível?

Concordo com Diego que as coisas não são tão simples assim. Em um jogo como o BBB, onde as fofocas e brigas são o molho do programa, como apagar o que foi dito durante um período tão longo de desentendimentos, em um passe de mágica, ao atravessar a porta de saída da casa? Isso porque os confinados ainda não ouviram o que o público aqui fora teve acesso.

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Por exemplo: Gracyanne questionando a sinceridade do próprio Diego em relação aos seus remédios psiquiátricos; Vilma dizendo que Aline é mulher para curtir um ou dois dias (e não para ter um relacionamento); as frases de Joselma que Renata e Eva ainda não tiveram acesso na íntegra?

Não estou dizendo que seja impossível perdoar, mas o esquecimento automático prometido por alguns BBBs é uma fantasia. Não existem duas vidas, uma em que se pode falar tudo o que pensa e sente sem consequências e uma segunda onde toda e qualquer atitude é colocada de lado e desaparece.

Para que haja a construção de uma amizade fora da casa, vai ser preciso muito esforço - e será que Renata, por exemplo, está disposta a ligar para Dona Delma e marcar umas cervejinhas?

As experiências vividas pelos participantes do BBB terão influência sobre eles para sempre. Os conflitos são intensificados pela dinâmica do programa, é claro, e isso pode ser levado em consideração pelos envolvidos na hora de elaborar o que aconteceu lá dentro. Mas apagar o que foi dito, nem pensar.

A saída da casa não será nada fácil para ninguém. Todos terão de enfrentar um julgamento do público e lidar com as consequências das próprias ações. E por isso acho ainda mais difícil sair perdoando tudo e todos. O sofrimento vivido pelo confinado - e intensificado pelos oponentes - será uma poderosa ferramenta para justificar os próprios erros.

Será preciso a elaboração do que houve, que passará por algumas etapas: o reconhecimento de tudo o que foi vivido; a compreensão do impacto de todas as situações experimentadas intensamente dentro do programa, a acomodação de toda essa carga de informações novas à própria história de vida de cada um. Pode ser que, em algum momento, todo mundo se perdoe, mas não vai ser do dia para a noite, não.

*Vladimir Maluf é psicanalista clínico formado pelo CEP (Centro de Estudos Psicanalíticos), em São Paulo, jornalista e estrategista de conteúdo digital com passagens pelo UOL, Terra, Globo.com e iG e consultor sobre diversidade e produção de conteúdo digital. Ganhou o Prêmio UOL na categoria "Melhor Conteúdo" em 2020.
www.vladmaluf.com
Instagram.com/vladimirmaluf

prontinho amiga, programado pra amanhã 12h:

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