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Você sabia? Ator de 'Tieta' foi secretário polêmico de Jair Bolsonaro

Roberto Alvim enquanto secretário especial de Cultura de Jair Bolsonaro (2019) - Divulgação
Roberto Alvim enquanto secretário especial de Cultura de Jair Bolsonaro (2019) Imagem: Divulgação
do UOL

Clara Ribeiro

Colaboração para Splash, em São Paulo

25/03/2025 12h00Atualizada em 25/03/2025 13h20

Talvez você não saiba, mas "Tieta" (Globo) tem em seu elenco um ator que trabalhou no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Roberto Alvim, 51, tinha um papel pequeno na trama que está sendo exibida no Vale a Pena Ver de Novo.

Papel pequeno em 'Tieta'

Roberto Alvim interpretou Timóteo jovem no início de "Tieta" (1989). Creditado como Roberto Rêgo Pinheiro, seu nome de batismo, o ator tinha 16 anos quando deu vida ao personagem que foi eternizado por Paulo Betti na fase adulta. Há pouquíssimos registros do ator em cena na trama.

Personagem integrava os "Cavaleiros do Apocalipse" da novela de Aguinaldo Silva. Além de Timóteo, o "grupo" era composto por Amintas, Osnar e Ascânio, vividos por Leonardo Brício, Marcos Winter e Edson Fieschi na fase jovem, respectivamente.

Roberto Alvim em 'Tieta', na qual foi creditado Roberto Rêgo Pinheiro; ao lado, em foto mais recente - Reprodução/Globo e Valter Campanato/Agência Brasil - Reprodução/Globo e Valter Campanato/Agência Brasil
Roberto Alvim em 'Tieta', na qual foi creditado Roberto Rêgo Pinheiro; ao lado, em foto mais recente
Imagem: Reprodução/Globo e Valter Campanato/Agência Brasil

Roberto Alvim teve participação ínfima em projetos na TV e fez carreira no teatro. Formou-se na Casa das Artes de Laranjeiras, onde deu aulas de história do teatro e literatura dramática nos anos 2000, e foi diretor do Teatro Ziembinski, no Rio de Janeiro, de 2005 a 2007.

Traduziu e adaptou diversos espetáculos em que também foi diretor. "Homem Sem Rumo" (2007), de Arne Lygre; "A Terrível Voz de Satã" (2009), de Gregory Motton; e "Terra de Ninguém" (2014), de Harold Pinter, estão entre eles.

Secretário especial de Cultura do governo Bolsonaro, Roberto Alvim - Reprodução/Facebook - Reprodução/Facebook
Roberto Alvim
Imagem: Reprodução/Facebook

Drogas, 'conversão' e discurso com conotação nazista

O ator assumiu uso abusivo de drogas e atos violentos contra a esposa. Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, Alvim revelou que fazia uso de drogas, sobretudo para trabalhar, e chegou a pensar em suicídio.

Cheguei a ter uma overdose, o meu coração parou. Cinco dias depois, estava usando tudo de novo. Pensei muito em suicídio (...) Minha mulher foi vítima permanente de traições e de loucuras, de agressões que eu fazia. Quando você chega em casa depois de três dias, vindo sabe Deus de onde, da esbórnia, e a sua mulher pergunta 'onde você estava', você mete a mão na cara dela, se for o caso, você fala para ela calar a boca.
Roberto Alvim, à Folha de S. Paulo, 2019

O diretor teatral Roberto Alvim encontra-se com o presidente Jair Bolsonaro - Reprodução/Facebook - Reprodução/Facebook
Roberto Alvim e Jair Bolsonaro
Imagem: Reprodução/Facebook

Alvim também chegou a afirmar que um tumor em seu intestino "sumiu" após oração da babá do filho. "Eu senti uma energia, levantei da cama e nunca mais senti dor nenhuma. O tumor praticamente desapareceu, e eu não tive mais nenhum sintoma", afirmou ele, que era ateu, também para a Folha de S.Paulo.

A partir da conversão religiosa, ele começou a se identificar com a extrema direita. Tornou-se admirador de Jair Bolsonaro e um dos apoiadores do político, que esteve na presidência de 2019 a 2022. Em agosto de 2019, o presidente convidou o ator para comandar a Funarte (Fundação Nacional de Artes). Hoje, a instituição é chefiada por Maria Marighella, neta de Carlos Marighella.

O meu conservadorismo na arte significa ter amor profundo às grandes realizações dos mestres do passado. E tentar criar, hoje, obras de grandeza equivalente. Nunca um poema vagabundo contemporâneo vai ter a mesma grandeza de Shakespeare.
Roberto Alvim, à Folha de S.Paulo, 2019

Nomeado secretário especial da Cultura, foi exonerado por parafrasear figura nazista. Alvim assumiu o cargo em outubro de 2019 e, em janeiro de 2020, deixou o cargo após fazer alusão a Joseph Goebbels, ministro da propaganda da Alemanha nazista, em um vídeo institucional da pasta, o que gerou manifestações de repúdio.

Roberto Alvim, em pronunciamento com plágio de Joseph Goebbels - Reprodução - Reprodução
Roberto Alvim, em pronunciamento com plágio de Joseph Goebbels
Imagem: Reprodução

No vídeo, Alvim fez um discurso bem semelhante ao de Joseph Goebbels. Alvim também usou a ópera "Lohengrin", de Richard Wagner, compositor venerado por Hitler. "A arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional. Será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes do nosso povo, ou então não será nada", disse o então secretário de Bolsonaro.

A arte alemã da próxima década será heroica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada.
Joseph Goebbels, no livro "Goebbels: a Biography"

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