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Região da Espanha pagará R$ 93 mil para nômades digitais se mudarem para lá

Fuente de la Plaza, em Hervás, no Vale do Ambroz, comunidade autônoma de Extremadura, na Espanha - Rudolf Ernst/Getty Images/iStockphoto
Fuente de la Plaza, em Hervás, no Vale do Ambroz, comunidade autônoma de Extremadura, na Espanha Imagem: Rudolf Ernst/Getty Images/iStockphoto
do UOL

Colaboração para Nossa

16/09/2024 12h00

A região do Vale do Ambroz, na comunidade autônoma espanhola de Extremadura, anunciou no final de agosto que pagará até 15 mil euros — ou pouco mais de R$ 93 mil — para nômades digitais se mudarem para lá por, pelo menos, dois anos.

O programa, chamado "Vive en Ambroz", busca amenizar o problema de baixa população desta área charmosa, mas considerada rural com suas florestas e paisagens bucólicas entre vilarejos e montanhas. Oito cidades compõem Ambroz: Abadía, Aldeanueva del Camino, Baños de Montemayor, Casas del Monte, La Garganta, Gargantilla, Hervás e Segura de Toro.

Para se ter uma ideia da serenidade preocupante do local atualmente, segundo a revista especializada Condé Nast Traveller, a capital do vale, Hervás, possui hoje apenas 3.907 moradores e é a mais populosa. Outros vilarejos da região têm muito menos, como é o caso de Segura de Toro com seus 181 residentes.

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Baños de Montemayor
Imagem: WHPics/Getty Images/iStockphoto

O vazio, portanto, gera carência na oferta de serviços essenciais destas áreas e quem vem de fora como nômade digital — seja de grandes metrópoles afetadas pelo excesso de turismo como Barcelona, quanto de outros países — é muito bem-vindo, especialmente por serem estes trabalhadores especializados, em sua maioria.

O "Vive en Ambroz" oferecerá até 200 prêmios — ou incentivos financeiros — para novos moradores. O dinheiro deve ser destinado para garantir "moradia disponível, terra cultivável e tudo o mais necessário para agilizar a chegada". Ao canal de notícias Euronews, as autoridades informaram que haverá um critério de distribuição: mulheres de menos de 30 anos que se mudarem para cidades com menos de 5.000 residentes receberão 10 mil euros (R$ 62 mil) na primeira parcela, enquanto os nômades digitais que não se encaixarem nesta categoria levarão oito mil euros (R$ 49,6 mil) no primeiro momento.

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Puerto de Honduras
Imagem: Rudolf Ernst/Getty Images/iStockphoto

Depois dos dois primeiros anos obrigatórios, o primeiro grupo vai ser pago uma nova parcela de cinco mil euros (R$ 31 mil) se decidir ficar por mais um ano. O segundo grupo deverá receber quatro mil euros (R$ 24,8 mil) pelo ano adicional.

Candidatos ao programa que forem aceitos terão três meses para se registrar junto às autoridades do Vale do Ambroz para um certificado "padrón", que é um registro de residência. Após obter o documento, o novo morador terá até um mês para pedir o pagamento da primeira parcela, que será transferida de uma vez.

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Vista da igreja de Santa María de las Aguas, em Hervás
Imagem: Cristina Candel/Getty Images

Posso me mudar para Ambroz?

Poderá se candidatar ao programa "Viver en Ambroz":

  • Quem não morou em Extremadura nos últimos seis meses;
  • Quem é residente legal da Espanha e tem um documento de identidade de estrangeiros (NIE). Aqueles que ainda não o possuem devem se candidatar primeiro ao visto de nômade digital da Espanha e obter o direito à residência no país;
  • Ser trabalhador remoto do setor de tecnologia, especificamente, "através do uso exclusivo de mídia e sistemas de T.I., telemática e campos de informação", segundo o Euronews. Ainda não está claro se nômades de outras áreas poderão participar.
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Cachoeira no Vale do Ambroz
Imagem: Carlos Pérez Romero/Getty Images/iStockphoto

Como se candidatar?

Ainda ao canal Euronews, as autoridades de Ambroz informaram que divulgarão em breve a data de abertura das inscrições — que está prevista para a metade de setembro. Elas deverão ser enviadas através do Ponto de Acesso Eletrônico Geral de Extremadura, onde será necessário realizar um cadastro, fazer login e enviar seu certificado digital de residência (para estrangeiros) ou identidade espanhola digital.

Também será necessário apresentar documentação do país de origem ou da região da Espanha em que o trabalhador remoto atualmente vive para certificar sua residência original, além de um registro oficial da aprovação do empregador do nômade digital para o trabalho remoto em Extremadura.

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Paisagem do Vale do Ambroz
Imagem: Carlos Pérez Romero/Getty Images/iStockphoto

Autônomos terão que apresentar documentação detalhada sobre as condições de seu trabalho remoto e todo aquele que já trabalha na Espanha precisará comprovar que não tem pendências no pagamento de impostos. Documentos que não estiverem em espanhol deverão passar por tradução juramentada antes de serem entregues. A aprovação ou reprovação deverá ser informada em até três meses.

Por que se mudar?

Apesar de distante dos grandes centros, Ambroz é um bom ponto de partida para quem quer se fixar em uma área tranquila na Europa, mas também visitar cartões postais com facilidade; de carro, é possível chegar em Madri em apenas três horas e, em duas, entrar em território de Portugal.

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Baños de Montemayor
Imagem: WHPics/Getty Images/iStockphoto

A região recebeu um EDEN (título de "destino europeu de excelência") em 2019 da Comissão Europeia por suas práticas de turismo sustentável para localidades pequenas e eventos como o Otoño Mágico, festival que acontece no outono que celebra a paisagem e a biodiversidade da área.

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Paisagem nevada no Vale do Ambroz
Imagem: MA Vega /Getty Images/iStockphoto

O vale ainda é reconhecido há mais de um milênio como uma espécie de centro de bem-estar. Baños de Montemayor, por exemplo, é famosa por suas termas e spas romanos de 2.000 anos (há versões modernas na cidade também). Por la ainda passa parte da Vía de la Plata, uma trilha impressionante que foi encarada pelos celtas no fim da Idade do Bronze e hoje serve como ligação ao Caminho de Santiago de Compostela.

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